Passou o ano novo, passou o carnaval, e acabaram-se as desculpas. Finalmente, o ano começou. E, todo início de ano, seja no calendário, seja com o início de nossa rotina, somos cooptados por um sentimento de renovação que nos faz acreditar que tudo é possível.

O novo ano que se inicia passa a mesma sensação de começar um caderno no início do ano letivo. Folhas brancas, sem nenhum amassadinho ou risco, cheirinho de novo. Eu adorava a sensação de material escolar novo…. Dava até vontade de caprichar na letra e de se comprometer de não deixar nadinha para cima da hora. Mas os dias se passavam, e o caderno não era mais tão perfeito. As correções deixavam marcas das dificuldades e aquele sentimento de confiança ia ficando de lado enquanto corríamos atrás das tarefas…

É interessante que isso é verdade para a nossa vida, para as organizações, até para a vida pública. Mas por que será que muitos somos assim? Por que gostamos tanto de começar, de zerar o velocímetro e construir de novo? Por que acreditamos que começar é mais fácil que manter?

Lembro de uma discussão, com as minhas orientações para trainees, onde eles reclamavam: “Poxa, toda vez que a gente pensa num projeto, esse projeto já foi começado, já foi tentado.” Foram tantas vezes que ouvi isso que joguei de volta: “Bom, vocês já têm o primeiro diagnóstico para o seu relatório. Essa instituição é boa para inventar projetos, mas não para implementá-los. Foquem na execução.”

Não tenho as respostas de por que isso acontece. Mas é muito mais fácil convencer um empresário a investir em prospecção, do que em qualidade para seus clientes atuais. É verdade, todo mundo busca “vendas adicionais”, mas parece que isso só é viável através do novo: do novo cliente, do novo mercado, da nova campanha. E se abandona o cliente conquistado, que vira prospect para uma nova empresa, num fluxo sem fim.

O novo orçamento também parece um réveillon organizacional. Tudo se torna possível.  Alguns objetivos parecem realmente promessas de ano novo: dobrar o crescimento, 100% de satisfação, etc.. Mas pouco é o tempo gasto para aprender com o que se tentou fazer e não se realizou, com o que deu errado. Logo partimos em busca da chave mágica, da ideia brilhante, do salvador da pátria.

O que as startups e as novas formas de desenvolvimento nos ensinaram é que é bom planejar. É sim bom gastar tempo pensando no que acrescenta valor para o cliente, mas depois, é focar em entregar o valor prometido por inteiro. É rodar o PDCA e ir corrigindo e aprendendo com o mercado e com suas respostas em tempo real. Sem medo. A execução perde o caráter operacional tão pouco apreciado, e assume o papel fundamental de dar continuidade ao desenvolvimento do produto, da ideia, do serviço, como um processo de cocriação, num laboratório real. As estratégias são testadas e questionadas num ambiente com concorrência, com gente de verdade, e não apenas com simulações.

Temos que partir para a luta e perceber que não há certezas, mas insights, suposições, e é nesse terreno pantanoso que a arena do mercado e da vida acontece.

É hora de pensarmos no que vamos fazer de fato. Implementar, errar, aprender, modificar e jogar o jogo para valer. Vamos em frente que o ano já começou!

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