Duvidar de si mesmo.  É sobre as vezes que os outros parecem enxergar em nós forças e qualidades que não conseguimos ver. Não entendemos por que nos acham capazes.

Enquanto nossa vontade é permanecermos onde estamos, com medo de sermos identificados como impostores. A Síndrome do Impostor pode ser descrita de forma simples como aquele medo constante, descobrirem que não merecemos estar onde estamos, sermos identificados como incompetentes ou como uma fraude. Já que não acreditamos em nossas qualidades e em nossas realizações.

Ainda que sem um diagnóstico, ao longo da minha carreira, me deparei com vários executivos que apresentavam alguns traços que poderiam se encaixar nessa definição.

Ao ser procurada para dar apoio profissional, recebia diferentes briefings:

– os chamados “low profile”, o que no jargão corporativo significa que a pessoa não sabe se vender muito bem, ou mostrar suas qualidades.

– pessoas que recusam ou adiam promoções, por acharem que não estão prontos.

– pessoas que se preparam para apresentações rotineiras virando noites, com receio de que alguém faça uma pergunta que não saiba responder, e então elas serão demitidas

– pessoas que apesar de ter todas as características e inclusive o desejo, não se candidatam para posições de liderança ou em outras áreas, porque acham que não estão preparadas.

– pessoas que reagem de maneira desproporcional ao erro ou a um feedback negativo, gerando impacto em si mesmas, e em todos a sua volta.

Ou seja, todos os exemplos que caracterizam esse medo de não atender às expectativas do outro e ser percebido como não sendo capaz de realizar algo, apesar da realidade objetiva (avaliações, feedbacks, etc), dizer algo em contrário.

É muito difícil superar isso sozinho. É como se nossos filtros estivessem distorcendo a realidade e precisamos de ajuda para entender o que é fato e o que é coisa da nossa cabeça.

Há graus sérios e graves e devem ser tratados por profissionais da área da saúde. Mas muitos executivos apresentam apenas algumas dessas características, e que algumas dicas podem ajudar.

Dicas:

  1. Tenha a disciplina de manter uma lista ou um arquivo atualizado com seus resultados, conquistas e sucessos, independente do tamanho. Isso apoia o processo de tangibilizar a percepção que você gera no outro, e suas contribuições.
  2. Construa uma rede de suporte robusta, com pessoas que você admira e que considera que possam agregar ao seu desenvolvimento. Colegas de trabalho, amigos, um mentor, sua equipe. Organize espaços para receber feedback contínuo e realizar trocas estruturadas, para “ajustar” sua percepção. A ferramenta de feedforward pode ser uma excelente opção.
  3. Procure formas de alimentar sua energia, seja através de fazer o que você gosta, seja meditando, fazendo esportes, etc. Esse equilíbrio ajuda a ter mais clareza.
  4. Evite discutir com as pessoas enquanto elas dão feedbacks, principalmente os positivos. Adote a postura de anotar os pontos e agradecer para reflexão posterior. Você pode usar sua rede de suporte para internalizar porque esse impacto positivo ou negativo aconteceu, aprender com ele e ajudar na sua calibragem de percepção.

A síndrome do impostor pode ter origens diversas, como pessoas que são pertencem às classes sociais, gêneros, raças dominantes, e que carregam essa necessidade de precisar se esforçar muito para conseguir mostrarem aos outros que são merecedoras.

Pode vir de pessoas que sofreram com exigências demais na infância ou adolescência, quando nada era bom o suficiente. Tudo isso é muito difícil de superar. Uma boa forma de começar a sair desse ciclo é mudar essa mentalidade, e começar a se perguntar:

O que percebo que tenho que pode ser motivo para eu me sentir menos qualificado ou desvalorizado? Que forças tenho ou desenvolvi a partir das minhas experiências de vida e que me tornam hoje uma pessoa valiosa para a sociedade? Como posso usar essas forças para ter sucesso, e a gerar um impacto positivo no mundo?

Uma história de superação é motivo de orgulho. Ser diferente é bom, diversidade é positivo. Precisamos começar a entender isso. E isso pode e deve começar pela escola e pelas empresas. Aprenda isso e ajude a divulgar, não apenas no discurso, mas na prática.

 

Fonte: Ana Paula Alfredo,  Mestre em administração de empresas e trabalha com Desenvolvimento Humano e Organizacional na Agrégat Consultoria.