O conceito de sabotadores é um conceito da Psicologia Positiva. E esse livro de Shirzad Chamine é um dos livros mais populares sobre o tema.

Mas o que são sabotadores? A nossa mente é nossa principal aliada, mas também pode ser nossa inimiga.

De uma forma bem simples, sabotadores são padrões mentais, que funcionam de forma automática e rotineira na sua vida, de forma que você nem percebe, mas que trabalham contra o que é melhor para você. São aquelas “vozinhas” que escutamos quando estamos tentando algo novo, e que falam “você não vai conseguir”, “isso é demais para você”. E essa acaba sendo a função dos sabotadores. Nos proteger e garantir nossa sobrevivência. Tudo aquilo que é novo e nos ameaça, nosso cérebro envia mensagens para nos fazer desistir da ideia. E se não aprendermos a reconhecê-los e os neutralizarmos, limitados nosso potencial.

Ao todo são 10 sabotadores. Mas nem todos tem grande influência sobre todas as pessoas.

O principal sabotador é o Crítico e este sim é comum a todas as pessoas, chamado de Sabotador universal. Poderia ser definido como uma predisposição para deter as ameaças. Em outras palavras, para exagerar o negativo para garantir nossa sobrevivência. Cada um de nós tem o seu crítico moldado às nossas necessidades, fazendo com que a história se encaixe e assim não percebamos a sua ação exagerada.

Um exemplo dado no livro é que, pensando que o sabotador quer proteger você, imagine uma criança com pais pouco afetuosos. Uma criança precisa dos pais para sobreviver, então, a lógica criada pelo crítico é que você tem tantos defeitos que por isso não recebe o amor de seus pais que são perfeitos. O impacto é que você acaba se percebendo como tendo baixo valor (não consigo gerar o afeto que desejo) e, por outro lado, gera um impacto nos outros, já que vou olhar para os defeitos de todos, já que eu não sou o único assim nesse mundo. Meio doido né? Mas tenho certeza de que para algumas pessoas está fazendo muito sentido.

O crítico então seria esse sabotador que acha defeitos em você, nos outros e nas coisas. Provoca decepção, raiva, arrependimento, culpa, vergonha, conflitos e ansiedade e ativa os sabotadores cúmplices. Foca no erro, no negativo. Algumas das mentiras que ele usa para nos enganar…

Se eu não pressionar, você vai se acomodar.

Se eu não botar medo, você não vai se esforçar.

Se eu não punir o erro, você vai repetir.

Se eu não criticar os outros, você não irá defender seus interesses.

Sempre uma abordagem pela visão negativa, tentando parecer correta e que está a seu favor.

Mas o crítico não age sozinho. Ele pode ser ajudado por outros 9 cúmplices. E dependendo das nossas motivações, de nossas necessidades de sobrevivência emocional, somos mais propensos a uns ou outros. E escolhemos um estilo para lidar com essas motivações.

Então vamos usar a tabela abaixo:

Primeiro as motivações. São 3 as motivações ou necessidades primárias:

  1. Independência – uma necessidade de limites em relação aos outros, ser independente
  2. Aceitação – uma necessidade de manter uma imagem positiva aos outros dos outros, de ser aceito e receber afeto e amor
  3. Segurança – uma necessidade de controlar as ansiedades da vida e afastá-las ou minimizá-las.

Segundo,  há 3 formas de lidar com essas motivações. Os estilos. São eles:

  1. Afirmar: forma mais ativa e controladora. Você toma as atitudes que exigem a realização da sua necessidade principal
  2. Conquistar: você se dedica para conquistar a necessidade.
  3. Evitar: você se afasta ou afasta sua atenção, pensamentos ou outras pessoas para realizar sua necessidade.

Juntando a motivação e o estilo, nessa interseção está seu principal sabotador.

Antes de eu começar a descrever os cúmplices, é importante ressaltar que, durante a vida, alguns momentos, a maioria desses sabotadores aparece. Mas o mais importante é identificar o principal, ou até os dois principais. Provavelmente, os demais você já consegue neutralizar, ou serão enfraquecidos a partir do momento em que você fizer isso com o seu Crítico e com seu sabotador principal.

Quais são esses sabotadores e como eles agem para nos atrapalhar de  alcançar nosso potencial.

Insistente – é o perfeccionista. Tem a necessidade de ordem e organização levadas ao extremo. Altamente sensível a críticas. É aquela vozinha que fala. O certo é certo e o errado é o errado. Eu sou o jeito certo. Outra coisa que diz: se não for para ser perfeito, não faça. Odeia erros. E acha que é o único capaz de fazer o certo e de consertar as confusões dos outros. Gera bastante frustração, decepção, angústia, com ele mesmo e com os outros.

Prestativo – é o que busca aceitação, atenção e afeto a partir da ajuda, do elogio ao outro, colocando as suas necessidades em segundo plano, mas se ressentindo disso. Acha que pensar em si mesmo e no que precisa seria egoísmo, mas ao mesmo tempo sofre por não ser valorizado. Pode gerar relações de dependência e pouco colaborativas.

Hiper realizador – dependente do desempenho e da busca constante de realizações para poder se respeitar e se valorizar. Tem características de competitividade, preocupação com status e imagem, e tendências a trabalhar demais. Sentimentos são distrações, e acabam gerando desequilíbrio na vida pessoal X profissional.

Vítima – esse sabotador tem um estilo bastante emocional e gosta de se sentir meio vítima das situações. Acha sempre que ninguém consegue compreendê-lo e tem muitas vezes vontade de desistir diante dos desafios. Quando se coloca nessa posição frágil sente que recebe mais atenção. Gera relações de culpa, e cultiva sentimentos negativos.

Hiper racional – é o máximo da racionalidade. Tenta transformar tudo em uma equação matemática, inclusive os relacionamentos. Mente ativa, que pode passar por intelectualmente arrogante. Tende a ser mais reservado para não deixar as pessoas conhecerem e perceberem seus sentimentos. Acha que emoções geram confusão e procura se afastar de pessoas assim.

Hiper vigilante – é o guardião do universo e, como tal, acha que não pode nunca relaxar, senão todos serão atingidos pelos perigos da vida e por tudo que pode dar errado. É bastante ansioso, pensando no que pode acontecer e em todos os cenários. É cético, e acha que se não se responsabilizar por vigiar, ninguém mais fará.

Inquieto – está sempre procurando o que é a próxima coisa. Raramente está satisfeito. Tem pouco foco e quer se manter permanentemente ocupado. Tem medo de perder algo por viver outra experiência.

Controlador – quer assumir a responsabilidade e controlar tudo, forçando inclusive as pessoas a fazerem o que acha certo, quando acha certo. Acha que se dedicar, nada sai do controle. E não sabe lidar bem, quando algo sai diferente do planejado, ficando frustrado e expressando muitas vezes raiva. Tem dificuldades em confiar.

Esquivo – é aquele que quer ser agradável 100% do tempo. Foge de tarefas difíceis, não gosta de conflitos e finge que o feio e o desagradável não existem. Esconde dos outros a verdade para poupá-los e muitas vezes faz o mesmo com ele mesmo. Não enfrenta os problemas, e procura adiar, ou desviar para que alguém resolva ou que se resolvam sozinhos.

Alguém reconheceu alguma dessas vozinhas? Ou reconhecem alguém nessas definições? Os conceitos são bem mais complexos e, por isso, se vocês têm interesse em reconhecer os sabotadores mais ativos na sua vida, vale responder às perguntas e ver seus resultados.

Mas lembre-se: isso não é um diagnóstico. É apenas uma primeira reflexão que deve ser validada por você e ver se faz sentido na sua vida.

O mais importante é saber o que você vai fazer com isso.

  1. Se você decidiu ou não responder às perguntas, veja o que faz sentido para você. Quais são as coisas que parecem surgir na sua cabeça todas as vezes que você quer se arriscar em algo diferente, cada vez que você quer fazer uma mudança. Identifique essas coisas e registre para trazer para sua consciência.
  2. Pense em alguma situação em que você lembra que o seu crítico ou seus cúmplices agiram. Tente isolar de que culpa, frustração ou sofrimento ele estava tentando proteger você através da criação das “desculpas”.
  3. Para cada situação, pense em alternativas positivas.

Não é fácil, nem automático. O livro explica vários exercícios. Mas o mais importante é você começar a perceber o que está acontecendo, enfraquecendo suas vozes e dando lugar ao seu Sábio.

O Sábio é aquele que aceita tudo o que acontece ao invés de negar, rejeitar ou ressentir. E olha para tudo como uma oportunidade. Não é ter um olhar de fantasia. Mas é reconhecer que coisas ruins acontecem e só nos resta lidar e reconstruir a partir do que aconteceu.

Aos poucos, com muita prática, você começar a agir mais positivamente, melhorando o impacto na sua vida.

Mas não é simples. E ninguém faz isso com um passe de mágica.

Focar em se conhecer, olhar para o que é importante para nós, é fonte de muito poder para lidar com as situações. Mas não há garantias. Temos que fazer o melhor que podemos com coisas que não podemos controlar e manter nosso foco no que está nas nossas escolhas e no que temos sob controle.

Aqui você encontra dois  links:

Para fazer o teste dos sabotadores
Vídeo  do Canal AGREGAT: Você conhece os seus sabotadores?

Se vocês quiserem trocar um pouco a experiência, ou tirar dúvidas, estou sempre por aqui. Em nossas redes sociais.

Fonte: Ana Paula Alfredo