Qualquer um pode zangar-se – isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa – não é fácil.

Para quem acha que falar de Inteligência Emocional é falar de pessoas boazinhas, calminhas, flutuantes, eu começo com a  frase acima do filósofo Aristóteles.

 

 

E nossa conversa sobre inteligência emocional começa aí. Se você quer se zangar com alguém, ok. Mas que faça isso de uma forma que entenda o que está fazendo, minimizando as chances de se arrepender depois.

Com certeza conhecemos pessoas que propagam uma boa energia. Que, apesar dos problemas, conseguem enxergar saída, que conseguem ver coisas boas. Parece que essas pessoas têm um filtro diferente para enxergar o mundo.

Por outro lado, vemos pessoas que mesmo que tudo esteja relativamente bem, conseguem sempre puxar para o lado negativo da força. Que mesmo diante de uma vitória, olham para o lado vazio do copo.

E o que se percebeu ao longo do tempo é que existe mais do que o QI para explicar o sucesso na sua vida e carreira.

Mas vamos começar do início…

O livro de Daniel Goleman sobre inteligência emocional é de 1995. E ele já havia publicado um artigo anteriormente sobre isso na HBR.

E por que começamos a estudar as emoções? Um dos fatores é que com o avanço da medicina e da tecnologia começamos a entender muito melhor o nosso cérebro e seu funcionamento. E passamos entender como as diferentes partes do cérebro nos levam à raiva, às lágrimas, como acontece o mecanismo das emoções.

Meu objetivo aqui não é explicar como funciona o nosso cérebro. Eu não sou especialista em neurociência, nem neurologista etc. Mas trazer esse assunto para a prática. Minha grande experiência é com liderança. O suficiente para entender que durante grande parte da minha carreira ser puramente racional era uma grande vantagem. E se deixar levar pelas emoções era uma característica pouco desejada nas profissionais do sexo feminino. Como se as emoções fossem exclusividade de gênero.

O que são emoções?

As emoções são as reações físicas imediatas do nosso corpo a sinais do mundo exterior. Quando nossos sentidos percebem algumas informações, sejam sinais de perigo, uma pessoa interessante, aceitação ou exclusão, nosso corpo reage. E estou falando fisicamente. Quem nunca sentiu o coração acelerado chegando perto de um crush, ou aquele suor frio com medo de alguma situação desafiadora no trabalho?

 E como percebemos a inteligência?

Se eu falar de uma pessoa superinteligente, muitos vão imaginar um nerd, uma pessoa com óculos, cheia de livros…

Nosso entendimento da inteligência é ancorado no nosso QI, que acreditamos ser genético, e que há muito pouco que possa ser feito se você já não nasceu com um HD compatível. E que sucesso é resultado dessa inteligência.

Como então podemos explicar os talentos não desenvolvidos? Como podemos explicar um gênio nascendo no meio de uma família pobre e analfabeta? Como podemos explicar o sucesso, onde pessoas altamente “inteligentes” não conseguem alcançar seus objetivos e outras de QI mediano vão incrivelmente bem?

Parte dessa explicação vem pelo conhecimento da inteligência emocional.

A inteligência emocional se refere exatamente a como lidamos com nós mesmos e como nos relacionamos. As nossas emoções estão presentes o tempo todo, mesmo que não percebamos. Ter consciência delas, aprender a reconhecê-las e as de usar a nosso favor, é uma forma de inteligência fundamental, e que é a diferença muitas vezes entre ter e não ter sucesso em alguma atividade.

Trazendo mais para o prático, depois de ter mapeado os domínios da inteligência emocional, que já vou dizer quais são, Daniel Goleman e um outro pesquisador Richard Boyatizis, mapearam os 12 elementos ou competências relacionadas a cada domínio. De forma que ficasse mais simples sua compreensão.

Os 12 elementos da Inteligência Emocional.

Existem 4 domínios. O autoconhecimento ou autoconsciência, a autogestão, a consciência social e gestão de relacionamentos. Algumas pessoas falam de 5, sendo o quinto a automotivação. Nesse modelo que vou usar, ela está incluída dentro do autogerenciamento

Para ficar fácil a memorização, funciona assim. Primeiro precisamos focar em nós e depois nos outros, então os primeiros dois domínios se relacionam ao EU e os dois seguintes ao outro. E, primeiro precisamos ter consciência, para depois ter ação ou gestão. Então, autoconhecimento, autogestão, consciência social e gestão de relacionamentos. Viu como é fácil?

Desenvolvido por Daniel Goleman e Richard Boyatizis

Autoconhecimento, vamos começar por aqui. Olhar para nós mesmos e nos conhecer melhor. Segundo Renato Russo, “mentir para si mesmo é sempre a pior mentira”. E por que isso? Todos nós temos emoções que precisam ser identificadas e avaliadas. Saber o que estamos sentindo e porque estamos sentindo.

Nesse domínio a competência a ser desenvolvida é a autoconsciência emocional. Ou seja, sabermos reconhecer e nomear as nossas emoções.

Uma autora sul africana, chamada Susan David, apresentou um conceito chamado de agilidade emocional. Ela fala que temos que aceitar nossas emoções, nomeá-las para depois lidarmos com elas.

Fomos acostumados a esconder nossas emoções e isso não ajuda ninguém. Vocês viram Divertidamente?

Então, é mais ou menos por aí…. A alegria não é quem domina 100% do tempo. Temos a tristeza, a raiva, o medo. Todas essas emoções fazem parte de quem somos e podem nos ajudar a cumprir nossos objetivos. Temos que parar de lutar com as emoções, mas começar a dançar com as emoções.

O autoconhecimento é um ponto de partida importante. Sem aprender a fazer isso, ficamos sem ferramentas para controlar nossas emoções e direcioná-las para um objetivo, que seria o segundo domínio, o Autogerenciamento.

Basicamente esse é o domínio onde precisamos controlar nossas emoções para que elas não nos impeçam de fazer aquilo que queremos e como queremos.

Nesse domínio temos 4 competências:

autocontrole emocional (capacidade de manter sob controle as diferentes emoções e impulsos e manter nossa eficácia sob estresse ou situações hostis),

adaptabilidade (entender que nem tudo sai como o planejado, e que o mundo muda, demandas múltiplas, e que nossas ideias precisam ser adaptadas),

orientação para atingir objetivos (fazer as coisas, nos motivar a agir, a fazer, de uma forma melhor, nos desafiar e tomar riscos calculados) e

visão positiva (acreditar que é possível, que vale a pena, ainda que existirão diversos obstáculo e situações contrárias). Aqui há muito dos nossos porquês, nossas paixões, porque fazemos as coisas. Nosso propósito.

Basicamente é ter nós mesmos dentro do controle. É obvio que coisas dão errado. Então temos que ter a capacidade de reconhecer e reger nossas emoções para continuar seguindo, de forma produtiva, independente do que acontece no mundo.

Entrando na parte do “outro”, agora.

O terceiro domínio da Inteligência emocional é o domínio da Consciência Social. Não estamos sozinhos no mundo. Há outras pessoas. E precisamos ver e reconhecer o outro e suas necessidades.

Duas competências básicas aqui. Uma, a tão falada Empatia (que é a capacidade de sentir os sentimentos do outro e suas perspectivas. Não num movimento de defesa para contra-atacar. Mas com um interesse genuíno nas suas preocupações, buscando pistas sobre como os outros se sentem e pensam).

A outra competência é a consciência organizacional, ou seja, a habilidade de ler as emoções de um grupo, as relações de poder, identificando os influenciadores, as redes de relacionamento e a dinâmica organizacional.

Depois de conhecer, vamos para o quarto domínio. O gerenciamento das relações.

Aqui são 5 competências.

Influência: ou a habilidade de ter um impacto positivo nos outros, persuadindo ou convencendo as pessoas para ganhar seu suporte.

Coaching e Mentoria: a habilidade de promover o aprendizado ou desenvolvimento do outro através de feedback, aconselhamento ou suporte

Gestão de conflitos: a habilidade de ajudar as pessoas durante situações tensas, e desentendimentos, tentando apoiar na descoberta de soluções que podem servir a todos

Liderança inspiradora: a habilidade de inspirar e guiar indivíduos e grupos em direção a uma visão significativas de excelência, de resultados e de trazer para fora o melhor de cada um

Trabalho em equipe: a habilidade de trabalhar com os outros por um objetivo comum, participando ativamente, dividindo responsabilidades e reconhecimento e contribuindo para a capacitação do time.

Como podemos ver, diferente do que muitas pessoas podem imaginar, a Inteligência Emocional é algo bastante prático e que faz parte da nossa vida, estando suas competências refletidas no dia a dia das organizações.

A inteligência emocional é a habilidade que desenvolvemos para intervir no nosso comportamento à medida que tomamos conhecimento de nossos sentimentos. É o tempo que conseguimos estabelecer entre a emoção e o que fazemos a partir dela.

Não podemos controlar o outro, e dificilmente vamos controlar o sentimento que temos em relação a isso, mas podemos mudar o comportamento que teremos em relação à emoção que sentimos. Isso se chama gestão da emoção ou Inteligência emocional.

E o que acontece quando não gerimos nossas emoções? Há várias consequências, mas algumas mais comuns envolvem:

Preocupação excessiva sobre o que pensam sobre nós
Alta expectativa de retorno (frustração)
Exigir o que o outro não pode dar
Não se coloca no lugar do outro
Acredita que pode mudar o outro
Ser Hiperpensante
Impulsividade
Ansiedade – sofre por antecipação / ou pelo futuro
Autoritarismo e excesso de controle

Tudo isso impacta no estabelecimento de relações não saudáveis e a longo prazo em adoecimento físico e psíquico.

A questão do controle é muito importante. Queremos manter controle sobre tudo, sobre o que pensam de nós, sobre o que acontece no mundo. Mas na verdade só temos controle sobre como nos comportamos diante disso tudo.

Nossas emoções são sinais saudáveis do que verdadeiramente pensamos. Mesmo quando as emoções não são aquelas que gostaríamos de estar sentindo. Precisamos refletir sobre elas, entender que emoções estão em jogo, e qual necessidade revelam. Só assim poderemos agir de forma mais inteligente.

Fonte: Ana Paula Alfredo,  Mestre em administração de empresas e trabalha com Desenvolvimento Humano e Organizacional na Agrégat Consultoria.