Pode ser muito simples, mas para algumas pessoas, essa diferenciação não é tão clara. E mais do que a diferença em palavras e conceitos, não fica clara a diferença em como se tomar a decisão certa para cada uma delas e como uma interfere na outra.

Carreira é a sua trajetória profissional, que inclui sua formação, os cargos que ocupou, as empresas por onde passou e os conhecimentos e experiências que acumulou pelo caminho e ainda o que pretende construir.

Profissão está ligada a uma escolha. Algo que você estudou ou para o qual se preparou. Por exemplo, médico, professor, pintor, secretária etc.

Você pode construir uma carreira ligada a uma profissão. Por exemplo, meu marido é médico. Ele fez a faculdade, internato, residência em clínica médica, residência em cardiologia, residência em ecocardiografia, fez plantões em hospitais, começou consultório, faz suas atualizações participando de congressos, prepara trabalhos e estudos, e por aí vai. Ele construiu sua carreira na Medicina e vem construindo sua carreira para ser um profissional reconhecido na sua área. A carreira é a jornada. E a dele terá novos capítulos.

Em alguns momentos da vida, principalmente quando decidimos fazer um curso superior, acreditamos que nossa carreira será definida a partir daí, como no caso do meu marido. Mas nem sempre é assim.

Quando escolhemos uma profissão, pensamos em nossa vocação, o que gostamos de fazer, em pessoas que admiramos, consideramos a empregabilidade da área, olhamos a disponibilidade de formações e tomamos a decisão. Esse é um passo importante na carreira, mas é apenas um.

A carreira é uma construção, feita de escolhas, mas que demanda visão e investimento. E não estou falando em investimento financeiro necessariamente, mas em investimento de tempo principalmente para se definir uma direção.

Algumas pessoas que trabalham em empresas com RHs estruturados imaginam que a empresa é quem deve tomar conta e se preocupar com os planos de carreira dos funcionários. As pessoas têm resistência a planejar suas carreiras. De alguma forma imaginam que os caminhos já foram pré-traçados e não há oportunidade para mudá-los.

Mas, como a empresa pode oferecer alternativas se o funcionário não sabe o que quer? E será que a carreira do funcionário tem que se limitar à empresa que está no momento?

A resposta é não. Esse seria um modelo: “deixa a vida me levar”, onde o profissional não faz escolhas conscientes e não direciona o caminho que deseja seguir.

O conceito moderno de carreira pressupõe uma expansão de limites, tanto para fora da área de formação, como para além das organizações (no plural mesmo, já que pode significar tanto a empresa que você está, como alternativas empreendedoras de trabalho).

Antigamente se achava que a carreira era aquela vida inteira dentro de uma mesma empresa, de “office boy” até a aposentadoria. Ou que havia certezas, pré-requisitos que garantiriam seu futuro.

Mas carreira sem fronteiras parte da pessoa, como indivíduo, seus talentos, o que deseja e espera construir. Olhando para onde está hoje e para onde quer ir, ela traça alguns próximos passos, tanto de aprendizados, como de experiências, observando as oportunidades na empresa atual e fora dela.

Mesmo que esteja em uma organização, a pessoa é estimulada a pensar em sua carreira de uma forma mais ampla, e não apenas em crescimento vertical (júnior, pleno, sênior etc.), mas em movimentações laterais que podem ajudar o profissional a atingir seus objetivos, a pensar sobre suas escolhas e aumentar seu poder de contribuição.

Para operacionalizar esse tipo de carreira, conforme o estudo de Arthur e Clamam, deve se acumular três competências.

O saber por que – ligado ao seu autoconhecimento (quem você é), sua motivação individual e como se relaciona com o trabalho (a importância que ele tem na sua vida versus outras dimensões).

O saber como – ou seja que habilidades, conhecimentos e atitudes são necessários para a realização do seu trabalho e para continuarmos nos desenvolvendo e aumentando nossa contribuição e impacto para a organização.

E o saber com quem – ou seja, os relacionamentos e o networking que envolvem todo o ecossistema, dentro e fora da organização.

Essas três competências se complementam e abrem os caminhos para se pensar em seus próximos passos.

Por exemplo, é comum quando perguntamos para jovens talentos ou trainees o que eles desejam para o futuro e eles dizem: quero ser o Presidente, ou o diretor. É uma escolha válida. Mas a organização é um funil. E apenas 1 chega de cada vez ao cargo de CEO. Isso impacta a importância que você dará para o trabalho em sua vida, fará que tenha que desenvolver competências e habilidades que se destacam e formar alianças sólidas e networking por toda a sua carreira.

Toda carreira é feita de passos. Você pode mudar de ideia, “recalcular o caminho”, ou simplesmente decidir que carreira não é o principal para você. Todas as escolhas são válidas. Mas elas têm que ser coerentes com suas expectativas. E principalmente com quem você é.

Vou terminar com uma frase da Michelle Obama que me lembrou bastante essa discussão.

“Para mim, tornar-me algo não é sobre chegar a algum lugar ou alcançar um determinado objetivo. Em vez disso, vejo isso como um movimento para a frente, um meio de evolução, uma maneira de alcançar continuamente um EU melhor. A jornada não termina.”

“For me, becoming isn’t about arriving somewhere or achieving a certain aim. I see it instead as forward motion, a means of evolving, a way to reach continuously toward a better self. The Journey doesn’t end.” Michelle Obama

Até a próxima.

Fonte: Ana Paula Alfredo,  Mestre em administração de empresas e trabalha com Desenvolvimento Humano e Organizacional na Agrégat Consultoria.