No vídeo que gravei sobre esse tema, quero falar de escolhas de carreira e porque elas são tão difíceis.

Desde pequenininhos ouvimos: o que você vai ser quando crescer? As expectativas são sempre ligadas a uma profissão, e as respostas divertidas ficam por conta do universo infantil, né? Lembro que meus sonhos infantis envolviam astronauta, professora e caixa de supermercado. Carreiras super análogas. Meu irmão queria trabalhar em posto de gasolina. Tenho certeza de que todo mundo tem uma boa história sobre isso.

Vamos crescendo e a pergunta continua, mas a resposta não é mais tão divertida. Ao contrário de estimular um sonho, acaba gerando pressão.

Adam Grant, autor do bestseller “Think Again”, conta que essa era uma das perguntas que menos gostava. Segundo ele, suas respostas nunca agradavam. Ou provocavam risadas ou espanto. Parecia que nunca coincidiam como o que os adultos queriam ouvir.

Quando conversamos sobre opções de carreira, inclusive com nossos filhos, queremos que eles tenham, desde muito cedo, respostas equilibradas, baseadas com prós e contras, em estatísticas e no que pode gerar um futuro tranquilo.

Mas como ter certeza? Como fazer uma escolha para um mundo que ainda não existe, e onde a palavra mudança é até redundante? Se formos pensar nos últimos 10 anos, o que de verdade foi equilibrado, previsível, seguro e tranquilo? Quais foram as decisões inquestionáveis de carreira?

Para essa reflexão, gostaria de trazer alguns pontos:

  1. Cuidado com os limites que você mesmo se impõe. Algumas pessoas parecem ter certeza muito cedo. Isso pode ser sinal sim de uma grande vocação. Mas pode ser ainda o conforto de se ter tomado uma decisão e não ter mais que sofrer pensando nisso. Ou ainda porque alguém fez a decisão por você. Como quando se segue a profissão da família. Vale sempre questionar: como me vejo realizando isso todos os dias? Serei feliz com essa escolha? Essa escolha é realmente minha?
  2. Cuidado com os limites que os outros impõem. O segundo ponto diz respeito a quando você tem uma certeza, mas as pessoas dizem que seu sonho é impossível ou pequeno demais para você. Se dê pelo menos a dúvida. Muitas carreiras de sucesso começaram com sonhos impossíveis. É o caso de inúmeras pessoas do esporte, da tecnologia, inventores, e por aí vai. E muitas pessoas que fizeram escolhas por profissões menos glamorosas também tem vidas extremamente felizes. Aqui cabe perguntar: o que é importante para mim? Estou disposto a me esforças para conseguir atender às demandas de uma profissão que exige uma dedicação muito alta? Ou, serei feliz com a profissão que escolhi, independente do que os outros falem?
  3. Fuja das certezas e dos conselhos premonitórios. Não existe uma esfinge da carreira que te diz onde você será mais bem sucedidos e o que escolher. Conversar com várias pessoas, ouvir suas experiências é positivo e pode ser esclarecedor, mas você não deve esperar que os outros escolham para você. É importante que você faça sua própria pesquisa e use as pessoas mais experientes, como fonte de informação. Isso é muito importante para entendermos do que se trata a escolha no dia a dia, e não apenas no seu momento de glória. E, principalmente, de como é a entrada nessa área. Ninguém começa do topo, então é importante entender o caminho a ser percorrido.
  4. Se você for fazer ensino superior, não encare sua formação como um limitador. Exceto para alguns casos muito específicos, a sua formação não limita o seu trabalho em outras áreas. Na parte de negócios, trabalhei com administradores, economistas, engenheiros, publicitários, pedagogos, psicólogos, turismólogos, e por aí vai. Conheço pessoas formadas em TI que trabalham com desenvolvimento humano, e outras formadas em Medicina que trabalham em laboratórios farmacêuticos como gestores. Então, se você iniciou uma faculdade e tem medo de não querer trabalhar nessa área, pense antes de desistir se realmente não é possível aproveitar o que você aprendeu e se vale ou não começar tudo de novo. E não há nada de errado em começar de novo. Tenho um amigo querido que se formou em comunicação, foi trabalhar em marketing como estagiário, foi contratado na área de vendas e, quando anunciaram sua promoção para supervisor, percebeu que tinha um sonho não atendido, que era ser médico. Havia negado por tanto tempo, mas não havia como evitar. Com as economias, parou tudo, fez cursinho, e entrou para a faculdade de medicina, se formou e hoje está super feliz e realizado. E aprendeu, amadureceu com a trajetória anterior. Não há certo ou errado.
  5. Como o caso de meu amigo, a escolha de uma carreira não é para a vida toda. Há vários empregos que ainda não surgiram. E muitas pessoas têm mais de uma carreira em suas vidas. Eu já estou em minha segunda carreira e não sei ainda se será minha última.

Como disse Michelle Obama, perguntar o que eu quero ser quando crescer é uma pergunta sem sentido, como se, ao atingir a vida adulta, você parasse de crescer e se desenvolver e você chegasse ao seu fim, e a partir daí fosse só uma continuidade, sem novas decisões.

A pergunta mais importante a se fazer, para uma criança, ou para um adolescente, ou para si mesmo é: que tipo de pessoa eu quero ser? Quais são as coisas que você gostaria de fazer?

Não precisa ser só uma coisa, não precisa ser limitante. Não precisa ser uma certeza para toda a vida.

E para trazer para o hoje: o que você está fazendo hoje para continuar a crescer, continuar a aprender?

Fonte: Ana Paula Alfredo,  Mestre em administração de empresas e trabalha com Desenvolvimento Humano e Organizacional na Agrégat Consultoria.

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