Você sabe o que é holocracia? E, será que você está pronto para ela? Segundo Brian Robertson, a holocracia é uma nova forma de administrar uma empresa, onde há a substituição da estrutura hierárquica por um sistema onde essa autoridade está distribuída.

É um cenário onde a figura tradicional do “chefe” e de estruturas comando e controle não existem. As decisões são então tomadas pelo grupo de funcionários, que também é responsável pela gestão da organização. Esse é um daqueles modelos que é difícil de imaginar, já que nossos conceitos organizacionais são muito baseados na concepção da liderança, do organograma e das estruturas de decisão e poder. Mas programas de autogestão já existem e com sucesso em alguns lugares do mundo.

E quais os benefícios desse modelo? Basicamente os ganhos estão na agilidade das decisões. Como não existem estruturas de governança amarradas, as decisões são tomadas por quem está no dia a dia e executa as atividades.

Para uma holocracia funcionar são necessários os seguintes elementos: uma constituição, como chama Robertson, que deixa claro como são as regras e que se encarrega de distribuir a autoridade; uma nova estrutura e definição de papeis, processos de tomada de decisão diferente e processos de reunião, para garantir que as equipes trabalhem bem em conjunto e alcancem seus objetivos.

Aqui no Brasil, a holocracia é mais um experimento e, na verdade, acaba sendo implementada como parte de sistemas híbridos de gestão, onde se atribui maior responsabilização para os funcionários, mas ainda se mantém algumas estruturas.

Seja numa holocracia mais “pura”, seja em um modelo híbrido, as regras devem estar claras. É importante ficar claro que, da autonomia, todos são interdependentes e precisam funcionar de forma harmônica para que os resultados sejam alcançados. O propósito, seus princípios orientadores, valores, etc. servem como “cola” para que a organização continue junta e funcionando na mesma direção.

Ao invés de áreas e departamentos, as pessoas se organizam por “projetos” ou times multitarefas, chamados círculos, onde diferentes papeis são atribuídos para garantir o andamento do trabalho e a comunicação entre os membros.

Os check-lists e indicadores são monitores do desempenho, que também orientam as decisões. As sessões de feedback são contínuas e coletivas, para que todos possam saber como está seu desempenho e maximizar o aprendizado.

Se de um lado parece menos “chateação”, maior liberdade, junto vem a responsabilidade. Decisões de salário, custos, despesas, investimento, demissões, contratações, todas são tomadas em conjunto. A hierarquia das decisões vem dos objetivos e estratégias e não de figuras no papel de líder.

Mesmo que às vezes seja difícil perceber, há falta daquele conforto de alguém tomando as rédeas da organização, e tomando as decisões difíceis e o risco que alguns não tem coragem de tomar. Como me disse um dos pioneiros do sistema autônomo no Brasil, nesse tipo de gestão, as pessoas são tratadas como adultos. E é isso. E não há retaguarda, nem proteção. Cada um está ali para enfrentar os desafios como um todo.

Mas é interessante ver como que as prioridades ficam claras em um modelo como esse. Se o cliente tem uma demanda específica, a empresa não vai esperar um setor responsável resolver. A empresa inteira se mobiliza. Afinal, clientes trazem resultado. E o resultado é responsabilidade de todos. Não sei se esses modelos vão ou não prosperar. Mas hoje, de forma combinada, eles já são realidade em start-ups, por exemplo. E se exige uma grande mudança na forma de pensar.

Atitude de dono, responsabilização, foco no resultado, todas essas expressões comuns, ganham um novo colorido. Como pensar em carreira? Como ganhar inputs para o seu desenvolvimento? Como determinar seu horário e dedicação e trabalho? Como tomar a decisão de cortar benefícios para equilibrar as contas? Tudo isso depende exclusivamente do funcionário, que também acumula a gestão.

E aí? Está preparado para a holocracia? Como você enxerga você trabalhando em um sistema assim? Acha que seria bem sucedido?  Do que você imagina que é necessário abrir mão para viver bem em um modelo como esse?

Por Ana Paula Alfredo – Fundadora da Agrégat Consultoria – Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Pessoas.

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