Essa é uma pergunta que acabo sempre fazendo em algum momento num processo de mentoria ou processo de coaching, gerando respostas bastante interessantes (e quase sempre muito divertidas!).  E, dependendo do contexto, só fazer a pergunta já gera os insights necessários para a continuidade do processo.

Como toda metáfora, essa não é perfeita. Mas neste caso, pretendo demonstrar a diferença dos dois tipos de jogadores na forma como reagem diante de alguma situação, seja uma negociação, seja um conflito, seja uma conversa ou uma discussão, qual o seu tempo de resposta e para quando esperam o resultado satisfatório.

Os jogadores de ping pong são os de resposta rápida. Sempre pontos a reagir. A postura corporal ajuda a identifica-los, quase sempre preparados para o próximo lance, a próxima jogada. Olhos fixos no adversário. De inteligência rápida, pensam no momento, na recompensa imediata e o que vão ganhar a cada jogada, a cada ataque. Todo ponto é ponto. Toda bola é bola. Não abrem mão de nenhuma, com o objetivo de fechar o jogo, o mais rápido possível. Pensam no momento, na hora, e o ritmo do outro tem que acompanhar o ping-pong-ping-pong.

Os jogadores de xadrez são os de resposta mais lenta. A postura é mais introvertida e passam a sensação que veem além do adversário e do tabuleiro. O foco é final do processo. Antes de dar cada passo, analisam o impacto da sua reação no outro jogador (muitas vezes, mais de uma opção), e já planejam a próxima jogada, e a próxima. Estão preparados para jogar horas a fio e a sacrificar peças pelo resultado final, se for necessário. Os movimentos são cadenciados, é um jogo de paciência e concentração. O adversário participa da construção da jogada vencedora. É da resposta do outro, que surgem as ideias, que novas alternativas são apresentadas. Às vezes se divertem diante de um jogador iniciante se enaltecer de suas jogadas e peões conquistados, mas seu objetivo é um só: xeque-mate. O jogador de xadrez joga para ganhar a guerra e não a batalha.

Na nossa vida somos convidados a jogar vários tipos de jogos, independentemente de nossa aptidão natural. E temos que entender também qual é o jogo do outro. Onde ele se sente mais confortável. Entender o contexto, os motivos, os interesses. O jogo nem sempre é totalmente transparente para a gente, e só conseguimos observar as jogadas ou os lances, mas nunca o que está na cabeça do nosso adversário.

Em alguns momentos, não temos opção. Ou jogamos ping pong ou caímos fora da arena. Temos que executar, agir, responder, sem dedicar tanto tempo para pensar cada jogada. Funciona assim. Imagine uma emergência médica com o socorrista pensando na reação de cada órgão. Para com isso! Hora de agir! Mas há situações que outro estilo de jogo é necessário.

Quando lidamos com pessoas, com a gestão da nossa carreira, ou com outros temas semelhantes, as habilidades de construção no longo prazo, acabam se mostrando mais adequadas. Quando escolhemos um caminho, quando queremos mudar de profissão ou empreender, o ideal é que possamos agir como jogadores de xadrez. Que possamos ir construindo jogadas, mas sempre tendo em mente o objetivo final.

Nesse processo, muitas vezes, andamos para trás ou para o lado. Aceleramos rápido com um bispo ou uma torre, mas em outros momentos, andamos passo a passo com o nosso peão. As adversidades que se colocam a frente vão se incorporando ao contexto e melhorando as jogadas. Aumentamos o que aprendemos, o nosso repertório.

Mas, como o enxadrista, temos a meta em mente. Quero chegar lá. Ah, para isso, preciso começar aprendendo inglês ou tenho que fazer um MBA, preciso estruturar minhas ideias no papel, pesquisar o mercado, conhecer outras áreas, etc. etc. Tudo isso faz parte do plano. Nas idas para trás e para o lado, saindo do projeto traçado, vale a reflexão: o que consigo tirar dessa situação? Como é que esse passo para trás me ajudará a ganhar tempo na frente? Qual é a alavanca que me falta para me dar acesso ao lugar que eu quero chegar?

O desemprego, a crise, as situações não esperadas da vida nos colocam muitas vezes jogando ping pong sem querer. Temos que deixar nossos objetivos de lado e lutar pela sobrevivência. E é válido! Ah, como é!!! Somos guerreiros! Mas pense se, em alguns momentos, você não tem a opção de ter maior controle sobre suas escolhas e sua vida.

Um bom começo é se conhecer. Saber onde você está e onde quer chegar. Não ache que isso é fácil de responder. E, surpresa, você pode mudar de ideia!!! Descubra o que quer fazer, e faça. Uma jogada de cada vez. Veja se o jogo da vez é ping pong ou já é hora de jogar xadrez.

E o que você pode começar a fazer hoje? Faça!

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