Todos os que participam (ou participaram) do mundo corporativo já ouviram falar pelo menos uma vez dos programas para desenvolvimento de líderes. E o que dizer da quantidade de publicações e artigos sobre liderança? Mas por que apesar de tanto material e tanto esforço, esse continua a ser um ponto crítico para as organizações?

A maioria dos programas para desenvolvimento de líderes trabalha com ferramentas de gestão. É comum se programar cursos como administração do tempo, planejamento, controle de despesas, etc. Apesar de úteis, tenho dúvidas se estas são as melhores ferramentas para a formação de um líder.

Uma das primeiras distinções a se fazer é a entre líder e gerente. Muitas vezes essas duas palavras são usadas como sinônimos, mas elas se referem a coisas diferentes. Em 1977, um professor de Harvard, Abraham Zaleznik publicou um texto estabelecendo esta diferença (Managers and Leaders: are they diferent?).

O gerente ou gestor é o responsável pela organização das atividades, pela atribuição de tarefas e pelo controle dos indicadores. Já o líder tem como principais características a visão, a inspiração e a capacidade de mobilizar, frutos de um profundo entendimento das motivações e desejos humanos.

Falando assim, parece que o papel de gerente é um papel secundário. Mas não é assim. John Kotter (What leaders really do), aponta que, ao contrário do que possa parecer, uma empresa não pode prescindir dos gerentes. E diz mais: que pode ser ainda mais maléfico para uma empresa a ausência de gerentes do que a ausência de líderes.

A gestão se relaciona a reduzir a complexidade, através da organização dos processos, do aumento da produção de forma mais eficiente e da administração dos recursos. E quanto maior for uma empresa, mais demandados são os gerentes, para que a empresa não se torne um caos.

A liderança por sua vez se relaciona mais com a mudança e com indicar a direção. É olhar mais para o longo prazo, mapear os dados que estão a sua volta, apontar caminhos e fazer escolhas. Mas a principal função do líder está no seu papel de alinhamento. Ao compartilhar sua visão, ao comunicar a direção que a empresa vai tomar, o líder é efetivo em garantir que sua organização caminhe na mesma direção, colaborando com os gestores para a execução do trabalho.

O que se espera de um líder é a integridade. É o fazer de acordo com seu discurso e suas decisões. É o discurso verdadeiro e transparente ainda que as notícias não sejam boas. É a crença de que enxerga uma saída, um futuro.

Para formar essas pessoas, há que se buscar em cada um a motivação de SER e não do TER ou do como FAZER. Não adianta ter o cargo, o poder, os benefícios, o salário, se não souber SER inspirador, coerente e motivador. Não adianta saber fazer cronogramas, planilhas e decorar os indicadores, se não entender quem ele é, suas forças e seus pontos de desenvolvimento, e usar ferramentas que ajudem seu autoconhecimento, sua capacidade de comunicação e seu pensamento estratégico. A formação de um líder está ligada a mudanças maiores, em buscar dentro de si suas forças e sua capacidade de identificar potenciais, seja nas oportunidades de mercado seja nas pessoas. Por uma visão clara, por uma ideia, por uma conquista é que as pessoas trabalham, se motivam. E os gerentes também agradecem.

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