Nessa época de crise várias pessoas me pediram ajuda para reescrever seus currículos, qual formato usar, como enviar, etc. Apesar do grande número de dicas disponíveis na internet, as pessoas ainda têm dúvidas do que escrever e de como escrever.

É importante dizer que minha formação não é em RH, e sim em Marketing e Estratégia. Por isso, a aplicação dos conceitos da minha área de origem é natural ao meu olhar quando realizo a minha avaliação de um currículo ou qualquer outro material.

Antes de mais nada é bom esclarecer que o primeiro princípio é a verdade. Inventar experiências, inventar cursos, nada disso sobrevive a uma checagem rápida ou a um entrevistador experiente. E mais: nada é pior do que começar um relacionamento baseado numa mentira (isso vale para todas as outras coisas na vida além de escrever currículos).

Tudo começa com o seu público e o seu objetivo. Ou seja, para quem você está enviando o currículo e o que você quer comunicar. Isso irá dar o tom de várias decisões, desde o formato e a linguagem que você pode usar, até a quantidade de informações e a ordem de apresenta-las.

Um currículo é uma foto e não um filme longa-metragem. Não dá para incluir tudo, nem detalhar cada experiência e cada projeto. O currículo é apenas o primeiro passo para o processo de seleção e deve ser capaz de ultrapassar essa primeira barreira. Ele deve responder ao pedido da vaga, mostrar onde está aquela característica solicitada – seja formação, seja vivência, etc.

O perfil da vaga é a necessidade declarada do seu público alvo. É o mínimo que você tem que atender. E a escolha das informações para demonstrar que você tem as características necessárias para preencher a posição é exatamente o que vai guiar o que terá mais ou menos destaque e mais ou menos detalhe no seu currículo. É assim que você vai elaborar sua proposta de valor e priorizar as informações.

Conforme vamos ficando mais experientes, temos mais coisas para contar, mais resultados para compartilhar. Mas nada disso adianta se essas informações não forem o que a empresa está procurando. E é a escolha que pode aumentar as chances de ser percebido. Por exemplo, tenho mais de 25 anos de experiência na área de Marketing. Qual a relevância do estágio que fiz quando estava na faculdade? Ou do meu primeiro projeto como assistente?  O excesso de informação pode esconder aquele dado que seria decisivo.

Com base nisso, já se deve imaginar que não se deve ter um currículo único. O ideal é personalizar, editar, destacando para cada vaga os aspectos da sua formação e experiências anteriores que atendem aos requisitos estipulados.

A carta de apresentação é uma ótima forma de fazer isso. Nela, fica mais simples mostrar o que faz de você o candidato ideal para a vaga e o porquê do seu interesse.

Sobre seu objetivo, há que se considerar ainda se você estiver sub ou super qualificado para a vaga. Acontece. Às vezes o currículo assusta.

Uma pessoa muito experiente se candidatando para uma vaga mais júnior pode ser retirada do processo por ser maior que a cadeira. Ou uma pessoa que não tenha o cargo gerencial, por exemplo, pode ser preterida por não ter o nome do cargo.

Respeitando o princípio da verdade, você pode escolher as palavras. No primeiro caso, você pode detalhar mais as experiências relacionadas com aquela vaga e menos as outras. Pode incluir na carta de apresentação por que esse caminho é importante para você, deixando claro que não é apenas um ponto de parada até encontrar um emprego melhor. Se você é um analista sênior que acha que está pronto para um maior desafio, descreva os projetos que liderou, mostre na carta de apresentação que está pronto para o próximo passo.

Algumas dicas que sempre gosto de seguir, mas que não são comprovadas cientificamente (pelo menos não que eu saiba):

  1. Se a vaga está em um idioma, o ideal é que você envie o currículo no mesmo idioma. Você até pode enviar um currículo adicional em outra língua, no caso de uma empresa multinacional.
  2. Conferir que todas as informações solicitadas no perfil da vaga estão no material a ser enviado, como em um check-list.
  3. Se possível, conheça a empresa para quem você está enviando o currículo. Ajuda a escolher o tom e também adianta sua preparação no caso de ser chamado para uma entrevista.
  4. No caso de currículos preenchidos online, o processo de triagem é muitas vezes automatizado. Isso significa que deve se ter muita atenção com os campos críticos para a vaga, já que são eles que serão o filtro para a qualificação ou não dos candidatos.
  5. Se você tem um perfil no Linkedin, garanta que ele está atualizado. As empresas usam as redes sociais para conhecer melhor os candidatos, buscar referências, etc. E nem preciso dizer que as informações devem ser compatíveis com o currículo enviado e com a verdade, ainda que seja mais genérico.
  6. Revise duzentas vezes se for necessário, mas não envie um currículo com erros. Não que um erro de digitação reduza suas chances de vaga. Mas é importante mostrar que você se preocupou com isso. É um cartão de visitas.
  7. Se você escolher colocar uma foto no currículo (não tenho uma opinião formada sobre isso), use uma foto atual e não uma de vinte anos atrás. Você pode e deve escolher uma boa foto, mas, de novo, é importante o compromisso com a verdade.
  8. Traduza cargos muito criativos. A criatividade das empresas com cargos é enorme. Ajude ao recrutador a entender o que o nome significa.
  9. Particularmente, eu gosto de usar um pequeno resumo das qualificações no início do meu currículo. Em dois ou três parágrafos, esse sumário deve retratar quem você é como profissional. Ele ajuda a destacar e a dar foco.

Nada disso garante o emprego. Mas vale dedicar tempo para elaborar suas próprias teorias e registrar seus aprendizados. O autoconhecimento é a chave para isso.

E lembre-se, a rejeição de um currículo ou a não aprovação em um processo seletivo não é a última palavra sobre quem você é como profissional. O mais importante é você ter a certeza de que mostrou quem você é e o que você pode fazer pela empresa.

Espero que meu ponto de vista possa ajudar alguém. Se alguém tiver mais dicas e experiências, coloquem aqui. Vou adorar aprender!

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