Um dos vídeos com maior número de visualizações no meu canal é  6 tipos de liderança. Por algumas conversas que tive, todo esse interesse é fruto da busca por encontrar algumas respostas
para esse novo momento na carreira que é tão desejado, mas que, quando chega, nos dá uma sensação de que não estamos preparados para ele.

E aí buscamos algum modelo, algum direcionamento de como resolver essa equação do que é ser líder e de como exercer sua liderança com resultados favoráveis.

Começar por uma definição de liderança é sempre uma escolha, um recorte. Vocês se surpreenderiam em quantas definições existem. O fato é que é sim complexo. Não existe uma fórmula mágica, mas sim componentes que vão caracterizando o tipo de liderança.

De uma forma geral, podemos dizer que a liderança é resultante:

Do líder e suas características (inatas, de experiência, de formação, etc);
Dos seus seguidores / equipe;
Da situação ou contexto da organização e dos seus objetivos.

Então a partir desse ponto de vista, vou explorar novamente, alguns conceitos que podem ajudar aos líderes de hoje e de amanhã.

Vamos começar com uma definição bem básica de liderança.

Liderança é a capacidade de influenciar um conjunto de pessoas para alcançar metas e objetivos, alinhados a estratégia da organização.

A forma com que cada um decide exercer essa influência, o tamanho do foco no objetivo ou no meio, na importância maior do líder ou do time, vão determinando diferentes estilos de liderança.

Uma mesma pessoa pode usar diferentes tipos de liderança dependendo do momento na organização, do time, dos objetivos que tem que entregar. Os estilos são então adaptáveis e flexíveis.

Por isso, nesse vídeo, vou usar como base estilos bem diferentes, com foco em cada uma das três áreas – foco no líder, foco nos resultados e foco nos seguidores, exemplificando prós e contras na minha perspectiva e em que momento eles podem ser usados de forma eficaz.

Então vamos lá!

“Manda quem pode, obedece quem tem juízo” – a fórmula “ultrapassada” da liderança Comando e Controle

Nesse caso o FOCO = LÍDER e sua posição hierárquica. Líder sabe mais que todos e o poder de decisão está em suas mãos. Escuta pouco, analisa cenários e decide. Espera que os seguidores cumpram suas instruções exatamente como foram dadas.

Quais são os benefícios dessa liderança? Normalmente a liderança é clara, transparente e objetiva. Todos sabem exatamente o que fazer, e como fazer. O líder tem controle e domínio de todos os processos. Nada acontece sem ele ou sem seu comando.

Mas existe uma distância enorme entre o líder e seu grupo. Uma parede. E essa liderança pode trazer consequências sérias para a organização, já que não desenvolve a autonomia, nem a proatividade. As pessoas têm medo de errar, de sugerir. Não se aproveita o conhecimento disponível no grupo e não gera inovação. Os processos são emperrados, não fluem. Tudo depende do líder.

E quando esse tipo de liderança pode ser boa, positiva?

Por exemplo, em um momento onde não se pode ter muita discussão. Por exemplo, em uma guerra, ou em uma sala de emergência em um hospital.

O objetivo ali é salvar vidas, cumprir a missão. Vocês conseguem imaginar no meio de um bombardeio um comandante perguntando. E aí pessoal, vamos fazer um brainstorming para buscar soluções. Não há espaço para isso. Confia-se no treinamento e na capacidade de julgamento do líder e se cumpre.

Nas organizações, o lado negativo dessa liderança, além dos que já levantamos antes, é que pode afetar os resultados por colocar os interesses do líder em primeiro lugar. Muitas vezes esse líder mostra comportamentos agressivos (grita, silencia). Pode ser sinal de falta de confiança em si mesmo: medo de perder o emprego, de não ser percebido como produtivo e eficaz.

A Liderança transacional

Essa é aquela liderança que tem mais a ver com gestão do que liderança. O FOCO = RESULTADO

É a liderança onde se conduz ou se motiva os seguidores em direção às metas estabelecidas por meio do esclarecimento, das funções, da exigência das tarefas.

Esse líder busca a estabilidade dos processos e reconhece nos seus seguidores, ou sua equipe, recursos para fazer funcionar a máquina organizacional. Raramente reconhece a peculiaridade e a diferenciação das pessoas, mas considera cada um como um recurso necessário para a produtividade e para o atingimento dos objetivos.

Entende seu papel como um organizador, que preza a eficiência e a estabilidade dos processos.

Reconhece os resultados e tem facilidade para isso, porque é guiado por métricas e fatos e dados.

É um tipo de liderança para áreas operacionais, onde a coordenação de atividades é fundamental para o funcionamento do todo. Um outro momento onde essa liderança é importante é durante mudanças de sistemas onde os processos devem ser seguidos e os objetivos são claros e os padrões devem ser obedecidos, deixando pouco espaço para a criatividade e para a inovação.

As lideranças Transformacionais ou lideranças humanas

Há vários tipos, com diferentes nuances, mas o que há comum em todas elas é que o foco são os seguidores, ou os liderados.

Vou usar como exemplo, a liderança coach, mas vocês podem ver também um outro vídeo que gravei sobre a Liderança Compassiva e Sábia, que conjuga humanidade e resultados.

O ponto de partida do líder coach é o potencial do liderado. Ele enxerga esse potencial e trabalha como um apoio para que ele tenha as oportunidades de desenvolvimento desse potencial através de projetos, objetivos claros e ferramentas como o feedback contínuo.

O líder funciona como um apoio e coloca a equipe na questão de protagonista dos resultados. Ele ajuda com perguntas, provocações e estímulos, além de ser um canal com a organização para a venda dos projetos e para a remoção dos obstáculos.

Um papel mais de orientador, de coach mesmo, que enxerga o jogo, entende para onde se caminha e deixa o time jogar.

O líder coach considera o desenvolvimento tanto como a performance, apesar do foco ser sempre no objetivo final. Não tenta ensinar como fazer, mas a dar o espaço para o funcionário em buscar suas próprias soluções, a partir de quem ele é e dos talentos que possui.

Estimula a independência, inovação e desafios constantes, aproveitando o que cada um tem de melhor, gerando colaboração e um ambiente agradável e de confiança.

Apesar de ser um estilo excelente, ele precisa existir em empresas com essa cultura, onde a exposição é favorável e a aceitação do risco e da busca por novos pensamentos é desejada. Caso contrário, a área fica dissociada da organização, o que pode gerar frustração.

Esses são alguns exemplos. Mas aí fica a pergunta. E por onde começar? Como desenvolver meu estilo de liderança?

  • Comece pelo autoconhecimento. Conheça seus pontos fortes, seus disparadores de conflito, suas áreas de desenvolvimento, etc. Sem se conhecer, sem saber o que motiva você, fica difícil desenvolver um estilo próprio.
  • Tenha compaixão por si mesmo. Falamos muito de empatia. Mas entender que a caminhada da liderança é desafiadora é importante. Você não deve ser o maior crítico de si mesmo.
  • Desenvolva-se. Pratique. Informe-se. Há sempre novas descobertas, novos conhecimentos, novas gerações.
  • Ouça. De verdade. Acolha opiniões diferentes. Reflita.
  • Entenda que ninguém sabe tudo (e nem precisa). Sempre o poder de uma equipe será maior que o de um único indivíduo.
  • Seja transparente e direto. Seja assertivo.
  • Jamais esqueça que líder e liderado estão no mesmo time. E que as pessoas de um mesmo time devem colaborar para o atingimento dos resultados da organização.

E aja de acordo com seus valores. Ser líder é parte de quem você é. E você deve sentir orgulho disso.

Fonte: Ana Paula Alfredo