Quase tudo que faço está voltado para desenvolvimento e autodesenvolvimento.

Então escrever sobre o tema “Eu cada vez melhor” parece-me absolutamente em sincronia comigo. Percebi sincronicidade também no momento em que me chamaram para escrever aqui. No mesmo dia do convite, havia trocado mensagens com uma colega querida sobre a intenção de criar um programa para promover as reflexões que tenho intenção de compartilhar com você nesse e nos próximos artigos.  No final de semana, havia concluído um ciclo de vinte um dias de meditação. Na semana anterior concluí um ciclo de 3 meses de prática com pares. No mês anterior havia encerrado um grupo de estudos. Se contar o que iniciei ou o que está em andamento, você vai se cansar…

Lido com desenvolvimento de pessoas desde que comecei a trabalhar, liderando adolescentes em programas de intercâmbio cultural, liderando vendedores em loja de roupas, liderando analistas de recursos humanos, além de programas de desenvolvimento profissional e gerencial em grandes empresas, prestando consultoria para programas de desenvolvimento, prestando serviços de coaching  e mais recentemente, buscando apoiar o desenvolvimento de coaches por meio da prestação de serviços de mentoria e supervisão.

“Eu cada vez melhor” se tornou o fio condutor da minha existência até aqui, mas ao longo do tempo percebi uma diferença: o que antes era “Eu” ou “Meu”, uma expressão do ego buscando reconhecimento e autogratificação, transformou-se e ainda está se transformando, pouco a pouco, num sujeito indefinido entre “Eu”, o “Outro” e tudo que há.

Neste artigo e nos próximos que virão, buscarei compartilhar com você o que experimentei, o que aprendi e estou aprendendo nessa jornada de autodesenvolvimento. Para isso, utilizarei várias perspectivas e conceitos sobre o desenvolvimento humano. Não tenho a pretensão de me aprofundar em tais perspectivas e conceitos, espero apenas considerá-los ao longo dessa escrita, mas tenho a intenção de usar a estrutura piramidal de competências múltiplas (Física, Cognitiva, Emocional e Espiritual) proposta por Cindy Wigglesworth no livro SQ21 The Twenty-One Skills of Spiritual Intelligence, para manter uma visão integrada que sirva para nortear o autodesenvolvimento.

A palavra “desenvolvimento” possui a seguinte descrição “toda ação ou efeito relacionado com o processo de crescimento, evolução de um objeto, pessoa ou situação em uma determinada condição (fonte: significado.com.br). Evolução, progressão, crescimento, expansão, são alguns dos sinônimos de desenvolvimento (fonte: sinônimos.com.br). A palavra é formada pelo prefixo “des” que significa oposição e “envolver” que veio do latim “volvere” que por sua vez significa dar voltas (fonte: origemdapalavra.com.br). Se não volta a ser o que era, aconteceu o movimento para ser algo diferente e a experiência adquirida nesse movimento, gera um outro ser que, ao acumular a experiência do movimento, se torna um ser expandido, que cresceu, em relação ao que era antes. Jamais será o que era.

O movimento de transformação, muitas vezes, é resultado do ciclo natural e universal de todas as coisas que nascem, crescem, cumprem sua missão e morrem. No entanto, o autodesenvolvimento ou o desenvolver a si mesmo é uma prerrogativa que não se aplica a todas as coisas. Humanos são seres que fazem uso deliberado dessa prerrogativa, basicamente porque somos dotados de consciência e num determinado momento de nossa evolução física, cognitiva e emocional nos damos conta dela.

As abordagens sobre o desenvolvimento humano buscam identificar a origem ou o que motiva o movimento para ser algo diferente. Variando de teoria para teoria, esta motivação pode ser descrita como uma manifestação instintiva de perpetuação ou sobrevivência, como expressão de necessidades fisiológicas, sociais, identitárias, entre outras. A maioria das abordagens do desenvolvimento humano procuram articular evolução biológica e psicológica, representadas na imagem da “pirâmide” pelas dimensões física (base), cognitiva (segundo nível) e emocional (terceiro nível).  Poucas abordagens ousam articular a dimensão espiritual (quarto nível), mas à medida que a ciência avança na investigação sobre a consciência, a espiritualidade vai sendo desmistificada e ganhando credibilidade, vide uma edição inteira da Revista Coaching Brasil dedicada ao tema. Essa evolução faz parte do desenvolvimento da ciência: Quando os estudos sobre o comportamento e o inconsciente começaram a se popularizar também gozavam de pouco crédito.

Após essa breve introdução, te convido a me acompanhar no próximo artigo para refletir sobre o primeiro degrau da pirâmide, a saber, a dimensão física. Até lá, te deixo as seguintes questões: quão consciente você é sobre o seu corpo? como classificaria suas habilidades físicas? qual a participação que a dimensão física tem em seu autodesenvolvimento?

Fonte: revistacoachingbrasil
Por: Gilda Maria Goldemberg