Nós acabamos muitas vezes idealizando algumas situações e algumas coisas, né? Por exemplo, quando eu comecei minha carreira, idealizava um executivo como um ser bem arrumado, inteligente, super organizado, com todas as respostas na ponta da língua. E foi com esse modelo em mente que entrei no mundo corporativo.

Ao longo de muitos anos lutei para tentar me encaixar em alguns padrões. Por exemplo, sempre tive invejinha das listas de prioridades organizadas, escritas com letra bastão, passando uma sensação de clareza mental. Mas essa característica não me pertence.

Cresci, me desenvolvi na carreira, virei gerente aos 23 anos, trabalhei em empresas diferentes, liderei várias equipes, cheguei à Diretoria. E se eu olhar para trás, construí sim uma carreira de sucesso. Mas ainda hoje não consigo organizar minhas prioridades numa linda folha de papel, ou melhor ainda, em aplicativos. E sabe o que? Não precisa

Quando eu lembro das minhas histórias de sucesso, elas sempre estavam ligadas a uma forma diferente de fazer as coisas. A ser criativa, a pensar em novas opções ou a criar associações que ninguém mais conseguia ver. Ou ao meu incrível comprometimento e à capacidade que eu tinha de entrega e de mobilizar as pessoas para trabalhar cada vez melhor. E por aí vai.

SERÁ QUE SÓ EXISTE UMA FORMA DE LIDERAR?

Quem disse que há só uma forma de liderar? Quando é que aconteceu a eleição para o líder mais perfeito do mundo? Se teve, eu não participei.

Como muitos já sabem, e para quem não sabe conto agora, eu trabalho com Desenvolvimento apoiado em várias metodologias, mas uma das centrais é a de Pontos Fortes.

A base da metodologia vem de pesquisas científicas, conduzidas por pesquisadores e pela Gallup, iniciadas e atualizadas há mais de 70 anos e que relacionam o sucesso não com determinadas características, mas com o fato de se focar nos pontos fortes, ao invés de querer compensar os seus pontos fracos.

Eu já usei esse exemplo antes, mas ele é bastante ilustrativo.
Boletim Escolar: Português – 10
Matemática – 10
Ciências –        10
Geografia –     10
História –           6

Quando pensamos em um boletim escolar de nossos filhos e vemos todas as notas 10, exceto uma nota 6 em História, por exemplo. O que fazemos? Focamos no 6. E perguntamos, por que esse 6 em História?

Bom, é meio óbvio que o exemplo se trata de um bom aluno. Por que ao invés de valorizar tudo o que ele conquistou, ficamos obcecados pelo 6, como se fosse uma manchinha brilhante em meio a uma folha clara de papel?

Essa é a base da metodologia. Focar no que você faz melhor.

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MAS POR QUE SEMPRE PENSAR NO GAP, NO PONTO FRACO?

Fazemos isso porque foi assim que aprendemos. Ao longo da nossa vida, criamos ideais, padrões, e fazemos o possível para alcançá-los, deixando de ver aquilo que fazemos bem, ou pior, deixando de fazer o que fazemos bem, para fazer do jeito que acreditamos, ou nos dizem que é o certo.

O melhor exemplo que temos aqui é sempre o do esporte.

Como vocês acham que é a avaliação de desempenho do Lionel Messi? Ou do Cristiano Ronaldo? Os dois são “fazedores de gol”, “passadores”. Mas se fôssemos avaliar o jogador perfeito, como ele seria? Provavelmente o descreveríamos como bom na defesa, no meio de campo, no ataque. Ou seja, um super herói.

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E aí a avaliação do Messi seria assim:
– Messi, você já foi eleito o melhor jogador do mundo muitas vezes, foi o artilheiro de vários campeonatos, é excelente nas assistências, mas achamos que você tem oportunidade de se desenvolver como defensor. Você até ajuda na defesa, volta para pegar a bola. Mas não é seu melhor. Por isso, a partir de hoje, ao invés de treinar no ataque, para bater faltas e cruzamentos, você irá treinar só suas habilidades de defesa. E vamos avaliar você pelo número de gols evitados, sem cartão, sem faltas violentas.

O que iria acontecer?

Forçamos as pessoas que não tem determinado talento a desenvolvê-lo, e outra que tem esse talento desejado a desenvolver outra coisa ainda, porque nunca estamos satisfeitos, e todos tem que cumprir todos os requisitos, um mesmo padrão. E aí qual é o resultado? Performance mediana. Mais do mesmo. Perda de oportunidade de se trabalhar com excelência.

Ao conhecer o que fazemos bem, temos que usar isso a nosso favor. Aumentar o volume desses talentos e buscar formas de usando cada um deles e eles combinados, chegarmos ao resultado desejado e esperado. E a surpresa é a de que não será um resultado qualquer.

E O QUE FAZEMOS COMO LÍDERES?

Repetimos esse comportamento.

Ao invés de descobridores e incentivadores de talentos, nivelamos as pessoas por baixo. De forma que todos sejam “iguais.”

Alguns pontos importantes:

  1. Temos que investir no nosso autoconhecimento
  2. Temos que saber claramente onde queremos chegar, quais os nossos objetivos, quais os resultados esperados, e comunicar isso para a equipe
  3. Temos que investir tempo para conhecer cada pessoa do nosso time, como indivíduo
  4. Precisamos alocar os recursos de forma a conseguir a entregar os melhores resultados. Por isso, focar no que cada um faz melhor.
  5. Reforçar os laços entre o time, incentivar a colaboração, as parcerias. E não incentivar a competição interna
  6. Compartilhar as vitórias, reconhecer, dar “feedback” com foco no futuro: feedforward.
  7. Incentivar a postura de aprender sempre. Desenvolver sempre. O potencial dos nossos talentos é infinito.

Por Ana Paula Alfredo – Fundadora da Agrégat Consultoria – Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Pessoas.

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