Falamos muito que as mudanças do mundo atual estão aceleradas e que nem sempre há tempo para preparação, e a pandemia do covid-19 veio mostrar que isso não é exagero dos pesquisadores e estudiosos.

Trabalhar a distância vai muito além da disponibilização de uma tecnologia adequada. É necessário garantir resultados e produtividade. Mas o momento que vivemos é um momento especial e diferente. Temos que entender que o que está passando no mundo é uma situação jamais vivida e que juntos temos que encontrar a melhor saída.

Nesse momento, os líderes devem mais do que nunca entender seu papel como gestores de pessoas. E as habilidades devem ser revisitadas para que os resultados sejam efetivos.

É importante que o líder entenda que cada pessoa tem uma realidade diferente. E aquela máxima de deixar os problemas em casa não funciona, já que o trabalho invadiu o ambiente familiar. Entre as mudanças, pessoas que normalmente têm ajuda, seja de pais, creches, funcionários, estão, em sua grande maioria, sozinhos. E acumulando funções de cuidado com a casa, refeições, roupa, crianças, idosos, … sem poder usar recursos de brincadeiras no parquinho, casa de amigos, esportes, etc. Soma-se a isso a nova função de monitores de aulas a distância. Realidade de muitas escolas que felizmente conseguiram viabilizar o aprendizado virtual. Muita mudança né?

Além da rotina, as pessoas estão com medo. Medo da doença, medo de perder o emprego, medo do que vai acontecer com a economia, medo dos impactos no mundo. Tudo isso que passa pela nossa cabeça, passa pela cabeça de todos, com cores e tons diferentes, mas é algo comum.

Então, a primeira dica é a conscientização de que não estamos trabalhando em condições normais. É um tempo novo. E as pessoas precisarão de tempo para elaborar sua nova rotina, por que todos nós fomos pegos meio de surpresa, em meio a desinformação, fake news e exageros quanto a importância, para mais e para menos. Entenda que é necessário um tempo para organizar tudo, comprar coisas, montar cardápios, dar assistência a crianças etc.

A segunda dica é não generalize, individualize. As pessoas têm necessidades diferentes e precisam de tratamento diferente. Um funcionário que tem um parente com a doença é diferente de um que mora sozinho. Um funcionário com filhos é diferente de um sem crianças. E por aí vai. Problemas diferentes com arranjos diferentes.

Em terceiro lugar, ouça. Comece suas reuniões abrindo o espaço para uma conversa, perguntando “Como você está?”, “Como está sua família?” e realmente ouça. Depois, entenda um pouco mais da rotina: “Você está com tudo preparado para poder se dedicar ao trabalho?” “Alguma necessidade que eu possa ajudar?”. Com essas perguntas, além de estabelecer proximidade, você obtém as informações sobre como poderia flexibilizar algumas regras para atender a diferentes necessidades. Há pessoas sem computador disponível, ou sendo usado por outro membro da família, entre vários pontos.

Por Ana Paula Alfredo – Fundadora da Agrégat Consultoria – Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Pessoas.

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