Assumir um cargo de liderança pode ser um desafio muito maior do que se imagina. Normalmente, dentro das organizações, o profissional que se destaca como bom técnico, tem habilidades específicas e ótima performance acaba sendo promovido pela entrega de resultados.

Mas, depois de receber a boa nova – afinal, quem nunca sonhou virar líder? –, vem a realidade. “Existe uma mudança significativa quando o profissional deixa de ser um colaborador individual para se tornar gestor. Não é uma questão de maior complexidade de projetos, como acontece com as passagens júnior, pleno e sênior; é uma mudança real na forma de realizar o trabalho e avaliar os resultados”, explica Ana Paula Alfredo, especialista em Liderança e Desenvolvimento de Pessoas e sócia da Agrégat Consultoria.

Ela mesma enfrentou desafios da primeira liderança com apenas 23 anos de idade, ao ocupar um cargo de gerência. Ao assumir a nova posição, diz Ana Paula, o colaborador se sente motivado e com vontade de realizar e entregar resultados, mas não sabe como, pois não houve uma fase de transição. “O volume de trabalho cresce, você começa a ter que fazer através do outro e aí bate a insegurança, a falta de preparação e a sensação de que está sozinho, não tem a quem pedir ajuda.”

As dúvidas vão das mais comuns – como delegar, como administrar recursos, como motivar pessoas – às mais complexas – “como posso dizer que não sei algo para minha equipe?” A consequência é um número enorme de horas trabalhadas, mas baixa produtividade. “Muitos já me relataram se sentir uma fraude”, conta a especialista. E não são apenas os mais jovens, com menos vivência profissional, que sofrem por conta da inexperiência gerencial quando são desafiados a comandar uma equipe. Novos gestores de todas as idades passam por dificuldades.

Segundo estudo do Instituto Gallup, apenas uma em cada dez pessoas tem habilidades naturais de liderança. E três em dez têm potencial para serem desenvolvidas. Como nem todas as corporações investem na formação, é muito comum encontrar novos líderes sofrendo. Deixar de ser um colaborador individual para ser um líder, na visão de Ana Paula, é saber delegar. A partir desse momento, a pessoa não é mais responsável pela execução direta e passa a contar com uma equipe para cumprir tarefas e alcançar metas. “O gestor não pode abrir mão do ponto principal da liderança que é o de gerir as pessoas e desenvolvê-las.

Ele precisa focar nos seus novos objetivos diretos e dedicar seu tempo a treinar a equipe, dar feedback, acompanhar os projetos e cobrar resoluções. Não pode querer fazer o serviço do outro, o que significaria, entre outras coisas, desperdiçar dinheiro da organização já que o custo/hora de um gerente, por exemplo, não é feito para que ele execute tarefas operacionais, que um analista deveria realizar”, acrescenta. O efeito sobre a equipe é imediato. Segundo outra pesquisa do Gallup, apenas 22% dos funcionários acreditam que seus líderes sabem para onde a sua organização está indo. E apenas 15% se sentem engajados com seu trabalho.

Ana Paula elaborou uma lista com dicas para ajudar os líderes de primeira viagem nesse momento de mudança profissional:

  1. Um líder deve ser inspirador. Ao assumir essa posição é preciso estar pronto para motivar as pessoas Quando o gestor consegue passar à equipe o propósito da empresa e, ainda, une os interesses dos funcionários com os da organização os resultados vêm.
  2. Seja confiável. Isso não significa ser bonzinho. Um líder confiável é aquele que faz a equipe perceber que está dando o melhor para que seus subordinados tenham uma excelente performance e age de forma consistente com o que fala. conforme suas palavras, de forma consistente.
  3. Monte equipes diversas. O bom líder deve extrair o melhor de cada um e não tentar gerenciar espelhos. Diversidade é fundamental para gerar novas e múltiplas ideias.
  4. Seja agregador. É preciso agir de forma a ter uma equipe que trabalhe pelos mesmos objetivos, em que um pode ajudar o outro, pode dar feedback para outro. Isso fortalece o time e faz com que cada um aprenda mais.
  5. Ouça, ouça, ouça! É fundamental estar sempre aberto a novas ideias e oportunidades. Ninguém deve achar que sabe tudo. É importante aprender com os pares e com os subordinados. Ouvir também é uma forma de conhecer melhor seus funcionários, o que podem agregar para a equipe, o que os motiva, quais são seus objetivos.
  6. Delegar é fundamental. Um bom chefe deve saber delegar e entender bem a diferença entre delegar e “delargar”. Para delegar é importante conhecer bem sua equipe, seus talentos e o que motiva cada um. Uma vez definidas, as tarefas devem ser distribuídas pelas pessoas certas e o chefe deve deixar claro o que espera como resultado, sempre avaliando o desenvolvimento do funcionário, apoiando e tirando dúvidas, caso necessário.
  7. Nunca “delargar”. É proibido jogar a responsabilidade para cima da equipe sem dar as informações necessárias, informar seus objetivos, sem pensar nas consequências. Quando isso acontece, o colaborador, em vez de se sentir desafiado, fica frustrado e se sente incompetente, pois acaba recebendo missões impossíveis e que não são de sua alçada. “Delargação” é sinal de má gestão.
  8. Dar feedback. Um bom líder deve dar mais do que feedback para a equipe. Deve pensar no futuro e dar feedforward. Erros fazem parte do dia a dia do ser humano. No ambiente profissional, por mais competente que seja o líder, haverá problemas com os membros da equipe. Quando isso acontece, o líder deve evitar focar apenas no erro do colaborador, que certamente se sente inseguro e ameaçado. Uma vez reconhecida a causa do erro, é hora de trabalhar num modo de solucionar o problema, o que é preciso mexer dali para frente para não repetir. Isso motiva o funcionário na tomada de decisões.

    Por Ana Paula Alfredo

1 Comentário

  1. Realmente Ana Paula, foi só aparti de sua liderança que vislumbrei o quão importante é ter um bom líder e você é a minha referência.

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