Existe um exercício nos processos de coaching muito conhecido: a Roda da Vida. Nem sempre uso ferramentas em minhas sessões, mas esta dá uma visão bem interessante, que já gerou insights poderosos para diversos clientes, tanto homens como mulheres.

O exercício pode ser feito de várias formas, mas a ideia é que você avalie diferentes dimensões da sua vida. De 0% a 100% quanto está satisfeito com relação a X. As dimensões podem ser pré-definidas (para o início de um processo, é minha escolha), ou podem ser escolhidas pelo cliente, adequando-se assim à importância que cada área da sua vida tem para você.

Depois de vivenciar vários processos de construção da roda com meus clientes (incluindo vários exercícios que vamos criando conforme a conversa vai fluindo), cheguei a algumas conclusões. A principal delas é que, na distribuição das do dia a dia, muitas vezes ocupamos todo nosso tempo com nossas obrigações. É como se reduzíssemos nossa vida a uma lista de tudo o que temos que fazer.

E, conforme a conversa evolui, descobrimos que, com essas escolhas, a valorização do FAZER, nos afastamos de quem somos, e nos aproximamos do que os outros desejam que sejamos. Mãe, irmã, funcionária, colega, esposa, …Mas, quem somos de verdade? Somos uma colagem de todos esses papeis? Não, não somos. Há algo que deveria ser mais importante: o que somos e o que queremos ser.

O mais interessante é que a priorização é feita por nós mesmos. É uma escolha. Mais ou menos estimulada pelas demandas do dia a dia, pela culpa, pela sensação de que estamos devendo, pelo nosso sentimento do que é ser bom em alguma coisa, por nossos desejos de TER, e por aí vai …

E, no processo de coaching, chega a hora de provocar uma reflexão: em que lugar você está em sua lista de prioridades?

Quando pergunto isso (ou algo parecido) para os meus clientes tenho respostas diferentes, mas em sua maioria perturbadoras: um silêncio profundo, uma cara de dúvida como se minha pergunta não fizesse sentido, uma série de justificativas de por que não é hora de focar em si mesmo ou um choro forte e perturbador.

Parece que a pergunta sobre o quanto “Você” é importante para “Você” é afogada em meio a tantas tarefas, tantas obrigações. Será que todos os itens que vem antes na lista são realmente mais importantes? Você está se lembrando de colocar sua máscara de oxigênio primeiro, para depois ajudar aos demais?

Tudo o que está antes de você é realmente mais importante? Você está colocando a sua máscara de oxigênio primeiro para depois poder ajudar os demais?

Não há uma resposta certa. Não há apenas um caminho. Mas vale a reflexão. E, se couber uma pequena sugestão, sugiro que marque em sua agenda um encontro com você mesmo. Pode ser pouco tempo, pode ser muito tempo, você é que sabe. Mas o importante é que você dedique esses minutos apenas para SER você.

Por Ana Paula Alfredo

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