Que empregos deixarão de existir? Que novas vagas surgirão? Como serão as novas formas de contrato entre empregador e funcionário?
Com tantas perguntas, só uma coisa é certa. Todo e qualquer trabalho que teremos no futuro implicará em aprender coisas novas.

Para quem já passou dos 40/50 anos talvez seja mais fácil entender. Porque, enquanto íamos crescendo e caminhando na vida adulta, as exigências para a garantia de um “bom futuro”, de um “bom emprego” iam mudando e aumentando. Quando chegávamos ao objetivo, ele mudava. E nova exigência surgia.

Lembro direitinho de quando era pequena que todos me diziam que se eu fizesse uma faculdade, teria sucesso. Na verdade, fazer uma boa faculdade. Depois, com a globalização, tínhamos que dominar o inglês. E aí veio a pós graduação, as especializações, o espanhol (afinal, somos o único país na América Latina que não fala a língua). E por aí vai…  E hoje são inúmeras as opções. Dessa trajetória, o importante é entender que, por mais que nos esforcemos para prever o futuro do trabalho, uma coisa é certa. Ele é incerto. A única certeza é que sempre teremos algo para aprender.

Seja o que se chama de “re-skilling”, com uma tradução aproximada para “requalificação” ou seja aprender novas habilidades para uma nova posição; ou “upskilling“, que podemos traduzir por aperfeiçoamento, ou seja, aprender com maior profundidade as tarefas atuais), a verdade é que qualquer trabalho, do mais operacional até o mais estratégico, necessitará de novas habilidades.

A professora de gestão da London Business School, Lynda Gratton, fala que abraçar essa ideia deve ser o primeiro passo. Temos que estar motivados e preparados para colocar nosso esforço na direção do aprendizado contínuo durante toda a nossa vida, uma prioridade.

Aquela ideia de que “acabei a escola”, “acabei o ensino médio, a faculdade, a pós, etc..” e não preciso mais estudar não cabe mais em nossa sociedade em constante mudança. Para nos manter competitivos, precisamos nos manter atualizados com as novas demandas que o mercado de trabalho exigirá, preparados para captar e atender as oportunidades no caso dos empreendedores. Ou seja, estarmos preparados para um momento contínuo de aprendizado, aplicação, novo aprendizado etc.

E essa discussão traz dois pontos fundamentais. Qual será impacto para a Educação Profissional e para as Organizações?

Os modelos tradicionais de educação, chamados de treinamentos, dentro do ambiente organizacional são extremamente caros e, por isso, são limitados a alguns escolhidos. A base de uma sala de aula, com um instrutor ensinando passo a passo todo um conteúdo, precisando se requalificar todos os dias para dar conta das novas demandas, parece que será um movimento de enxugar gelo e meio que impossível de ser financiado por recursos próprios de um indivíduo e será muito caro para a organização. Lembre-se que estamos falando de estudo contínuo. Não de um curso ou formação básica ou específica.

E a ideia de escolher apenas um grupo também não parece ser muito boa, já que todos deverão aprender.

Então, como será para os novos funcionários? Se o conhecimento não estiver disponível ou acessível fora da organização? O funcionário entra na empresa direto para a sala de aula?

As soluções estarão em cada organização. E a customização dessas novas de aprendizagem ao público, aos horários, a diferentes locais, a diferentes durações e estilos de aprendizagem, serão parte do sucesso das iniciativas.

Com certeza esse é um assunto que deverá entrar na pauta de todas as áreas de T&D, trazendo para a mesa, o foco no negócio e as necessidades dos clientes (internos e externos). Sim, porque muitas mudanças sairão dos portões e dos limites das organizações.

E você? Como pensa em se adaptar a esse novo mundo? Como você tem se adaptado a essa constante necessidade de atualização, seja como indivíduo, seja como organização?

Por Ana Paula Alfredo – Fundadora da Agrégat Consultoria – Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Pessoas.

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